Dia sem fim
Quando o intransponível regressa é o momento que preciso unir as forças para quebrar as mais árduas barreiras, nesse momento olho para o meu lado, preciso tanto de ti, mas apenas o vulto de uma alma longínqua. Onde estás minha negritude ardente que tanto anseio? Onde estás quando mais preciso de ti? Por que a vida obriga a esta luta desamparada? Por que apoiamos e no momento que mais precisamos de apoio nos sentimos tão sozinhos? Dia sem fim que chegou para torturar!
Aproxima-se o tardio tempo de um dia que nunca acabou, chega voraz junto com o primeiro brilho da manhã, um verdadeiro eclipsar de um dia que jurou um caminho de paz. Não tenho o direito de puxar o negrume de volta para mim, não hoje, não em um dia em que toda a minha negritude merece brilhar! Aguardo ansioso pelas horas finais atingido novamente por mais um desmoronar de pedras históricas de um passado distante mas que teima em querer me derrubar! Luto contra as investidas infrutíferas das lágrimas de um outro alguém, debato-me pelas entranhas rochosas que me atingem sem parar, mas sei que irei vencer! Saio ferido, com o arrastar do corpo relutante em ceder. Saio ferido carregando comigo o fel amargo do tempo que me atinge. Onde estás quando preciso que me ergas? Onde estás negritude que tanto anseio? Vem e trás contigo o fim deste dia que teima em não acabar! Leva-me contigo, ergue-me e da-me forças para limpar este histórico de perdição que envenena o meu presente!
Porque teimo em me sentir tão sozinho quando estás junto a mim!
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